sábado, 12 de maio de 2007

"Há enormes oportunidades no País",

O antigo embaixador dos Estados Unidos em Angola Paul Hare, actualmente presidente da Câmara de Comércio Estados Unidos - Angola, apelou ao empresariado norte-americano no sentido de aproveitar o momento propício para negócios que Angola está a atravessar.
Após afirmar que a presença da China em Angola "é uma coisa produtiva", Paul Hare afirmou que "as oportunidades para investimentos em Angola são várias" e que "há lugar para todos, sejam empresários russos, chineses, brasileiros ou portugueses".
Falando à margem da conferência sobre investimento em Angola, realizada no Woodrow Wilson International Center, em Washington, Paul Hare reconheceu que não é fácil convencer os norte-americanos a criar parcerias fora do sector dos petróleos, mas, no seu entender, a conferência terá um grande impacto nas relações bilaterais e na forma de fazer negócios entre os empresários angolanos e norte-americanos.
Numa sala que se revelou pequena para tanta gente, Paul Hare explicou que "era importante para os empresários norte-americanos ouvirem dos próprios angolanos as mudanças que estão a ocorrer em Angola, para melhor entenderem a realidade do país, antes de tomarem uma decisão".
Paul Hare frisou que a diversificação dos negócios norte-americanos em Angola já está a acontecer, embora de forma ainda tímida. Como exemplo, apontou os investimentos da multinacional Coca-Cola, os negócios da Microsoft e, mais recentemente, o projecto de construção da nova fábrica de cimento em Benguela.
A representante da Agência Nacional do Investimento Privado, nos Estados Unidos da América, Maria Luísa Abrantes, afirma que hoje já é crescente o interesse dos americanos em sectores como a educação, agricultura, hotelaria e turismo, transportes, saúde e construção civil.Criada há 15 anos, a Câmara de Comércio Estados Unidos e Angola integra membros do Governo, do Congresso, universidades, empresários e comunidade científica. O seu principal objectivo é atrair investimentos americanos para Angola, fora do sector petrolífero.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Estado vai construir 215 mil casas


Bernardino Manje
O ministro do Urbanismo e Ambiente, Sita José, que respondia às questões dos deputados, afirmou que o Governo tem em carteira a construção, em todo o país, de 215 mil habitações, a serem erguidas num período entre três a quatro anos.
Do ponto de vista daquele governante, este projecto é um dos melhores empreendimentos públicos de construção de habitações em massa, se comparados aos esforço de países vizinhos que não passaram pelas vicissitudes que Angola enfrentou num passado ainda recente.
Ainda ontem à tarde, o Parlamento aprovou, com 124 votos a favor, nenhum contra e nenhuma abstenção, o projecto de resolução sobre o preenchimento de vagas de alguns dos membros do MPLA nos gabinetes municipais eleitorais.
O MPLA solicitou a substituição de alguns dos seus membros das listas dos gabinetes municipais eleitorais. Foram invocadas razões de saúde, falecimentos e impedimentos de ordem funcional.
Dois dos pontos de ontem não chegaram a ser discutidos por falta dos responsáveis do Ministério das Relações Exteriores que fariam a apresentação do documento.
O 1º vice-presidente da AN, João Lourenço, considerou "desagradável" esta situação, tendo dito que a mesma se repete constantemente, quando o Mirex é chamado a prestar declarações na "Casa das Leis".
Os assuntos que ficaram por abordar, por ausência dos responsáveis do Mirex prendem-se com o "Protocolo à carta africana dos direitos do homem e dos povos, relativos aos direitos da mulher" e com o "Protocolo facultativo à convenção das Nações Unidas sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres".

terça-feira, 8 de maio de 2007

Comboios começam a circular este mês



Os serviços de transporte de passageiros dos Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL) serão retomados a partir da segunda quinzena deste mês, mais de dez anos após a sua paralisação, segundo revelou ontem à Angop, na capital do país, o director do projecto de reabilitação, Paulo Manuel Cuanza.


De acordo com o responsável, o CFL vai iniciar a circulação ferroviária suburbana desde a estação do município de Viana até a dos Musseques, no Rangel, com bilhetes cujo preço está fixado em 30 kwanzas. Com o início desta actividade, os responsáveis dos CFL procuram, a par das outras entidades da capital, oferecer soluções para a resolução dos problemas de transportação de pessoas do município de Viana para o centro da cidade e deste último para a periferia, que há algum tempo encontra-se dificultada pelo estado de degradação das vias e o aumenta da tarifa dos táxis. Não obstante estarem ainda por concluir as obras das estações dos Musseques e de Viana, Paulo Cuanza referiu que a direcção desta empresa decidiu pôr em circulação o comboio, inicialmente apenas uma locomotiva com três carruagens, cuja capacitada de transportação é de 105 passageiros sentados e cerca de 100 de pé. Paulo Cuanza assegurou a existência de condições de segurança suficiente (em termos de obra) para se circular na via férrea, uma vez que foram efectuados testes ao longo desta, por forma a se aferir a qualidade e oferecer à população um serviço eficiente e a baixo custo. "Neste momento realizam-se algumas acções administrativas para a confecção dos bilhetes a serem utilizados, assim como se desenvolvem negociações com os órgãos da Polícia Nacional, para que os meios sejam protegidos ", referiu o director do projecto.


O director do projecto de reabilitação dos CFL disse existirem já no país duas locomotivas provenientes da China, enquanto se aguarda por mais duas destinadas às viagens de longo curso, assim como seis para o comboio suburbano. Os engarrafamentos ao nível da cidade, sobretudo no percurso Luanda/Viana tornaram-se cansativos e causam transtornos aos citadinos, na medida em que os habitantes deste município satélite de Luanda (Viana) têm de se submeter a enormes filas de viaturas para chegar aos seus locais de trabalho, quase sempre com atrasos de várias horas.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Pepetela vence prémio literário de autor Galego em Espanha

O escritor angolano Artur Carlos Maurício Pestana (Pepetela) venceu o Prémio Literário de Escritor Galego Universal promovido em Santiago de Compostela, Espanha.
A distinção ao escritor angolano cujo valor do prémio é desconhecido foi entregue em cerimónia realizada sábado naquela cidade, a qual resulta da qualidade temática do conjunto das suas obras.
O autor de "Mayombe", o primeiro autor de língua portuguesa e, em simultâneo, o primeiro africano a ser distinguido com este prémio, declarou ter ficado "muito satisfeito" e sentir uma "grande honra" por receber o prémio.
Atribuído pela Associação de Escritores de Língua galega, AELG, o prémio, inicialmente, distinguia apenas autores nesta língua, mas o regulamento foi recentemente alterado e agora qualquer escritor, de qualquer nacionalidade, desde que traduzido, pode recebê-lo. O júri todos os escritores da AELG distingue anualmente um autor "cujas obra e personalidade tenham um alto conteúdo ético e estético que os transforme numa referência para o seu povo na defesa da dignidade nacional e humana". Na edição de 2006, a Associação instituiu um prémio para cada género literário narrativa, teatro, poesia, tradução e ensaio. No ano passado, o galardoado foi o escritor palestiniano Mahmud Darwish.
Pepetela é o primeiro escritor africano a receber este prémio. Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos (Pepetela) nasceu em Benguela, Angola, em 29 de Outubro de 1941. Em 1958 parte para Lisboa, onde ingressa no Instituto Superior Técnico (Engenharia) que frequenta até 1960. Em 1961 transfere-se para o curso de letras. Neste mesmo ano acontece, em Luanda, a revolta que origina a Guerra Colonial. Em 1963 torna-se militante do MPLA Movimento Popular para a Libertação de Angola. Entre 1960/1970 frequenta a Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, berço dos ideais de independência. Exilado na França e na Argélia, posteriormente gradua-se em Sociologia. Em 1975, com a independência de Angola, é nomeado vice-ministro da Educação, tendo em 1997 ganho o Prémio Camões pelo conjunto da sua obra. Em 2002 recebe a Ordem do Rio Branco, Brasil.
Pepetela é autor das obras Muana Puó Romance escrito em 1969 e publicado em 1978. Mayombe Romance escrito entre 1970 e 1971 e publicado em 1980, As Aventuras de Ngunga romance escrito e publicado em 1973, A Corda Peça teatral escrita em 1976, A Revolta da Casa dos Ídolos- Peça teatral escrita em 1978 e publicada em 1979, O Cão e os Calus Romance escrito entre 1978 e 1982 e publicado em 1985, Yaka Romance escrito em 1983 e publicado em 1984 no Brasil e em 1985 em Portugal e em Angola, Lueji, o Nascimento de um Império Romance escrito entre 1985 e 1988 e publicado em 1989, são outras das obras do autor.
Constam da sua biografia as obras Luandando Crónicas sobre a cidade de Luanda escritas e publicadas em 1990, A Geração da Utopia Romance que começou a ser escrito em 1972 e publicado em 1994, A Gloriosa Família, o Tempo dos Flamingos Romance publicado em 1997, O Desejo de Kianda Romance escrito em 1994 e publicado em 1995, A Parábola do Cágado Velho Romance. Começou a ser escrito em 1990 e foi publicado em 1997, A Montanha da Água Lilás, fábula para todas as idades Romance publicado em 2000 e Jaime Bunda, o agente secreto Romance publicado em 2002.
Recorde-se que ainda esta semana foi igualmente galardoado o escritor angolano José Eduardo Agualusa com a sua mais recente obra O Vendedor de Passados.

domingo, 6 de maio de 2007

sábado, 5 de maio de 2007

O papel

Foram os chineses que inventaram o papel, cerca de 100 anos depois de Cristo nascer. No entanto, só no século X foi conhecido no continente africano e introduzido na Península Ibérica pelo povo mouro.

Em Portugal, os primeiros escritos em papel datam de 1288 e de 1334.

Numa fábrica especializada, a madeira é reduzida a pequenas aparas que, depois de submetidas a vários processos industriais e à acção de vários produtos químicos, se transformam numa pasta de cor acastanhada e a que se chama pasta crua.
Esta pasta é depois branqueada, seca, prensada, e transportada à fábrica de papel. Aqui, a pasta vai efectuar um longo percurso para ser, finalmente, transformada em papel. Passará por tubagens, bombas e outros equipamentos, sofrerá a acção de outros produtos químicos até chegar à máquina do papel, onde vai formar-se uma folha que, depois de seca e prensada é enrolada num rolo enorme, ao qual se dá o nome de jumbo, e que pesa cerca de 40 toneladas.
Este rolo será, posteriormente cortado em folhas de diversos tamanhos. E assim, após este longo e complicado processo, o papel está pronto a ser utilizado por todos nós, para os mais diversos fins.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Comissão recomenda reconstrução de marcos na fronteira com a RDC

Comissão recomenda reconstrução de marcos na fronteira com a RDC

O Governo reiterou ontem, em Luanda, o seu total respeito pela intangibilidade das fronteiras herdadas da colonização, mantendo uma atitude construtiva e amistosa com as populações congolesas e apostado em manter as excelentes relações com as autoridades da República Democrática do Congo.
De acordo com uma declaração do Governo distribuída ontem à imprensa, na consequência de certas notícias surgidas na imprensa da República Democrática do Congo (RDC), contendo acusações sobre uma pretensa ocupação de parte do território congolês por elementos da Polícia Nacional, teve lugar no passado dia 13 de Março de 2007, em Kinshasa, um encontro entre delegações ministeriais dos dois países.
Chefiadas pelos respectivos ministros das Relações Exteriores, João Bernardo de Miranda e Antipas Mbusa Nyamwisi, as delegações constataram não ter havido qualquer alteração da situação anterior e decidiram criar a comissão técnica conjunta, com a missão de identificar os 112 marcos que delimitam os 2.511 quilómetros de fronteira comum e de abrir vias que facilitem o seu patrulhamento conjunto.
Essa comissão visitou de 25 de Março a 11 de Abril, por terra e por ar, a linha fronteiriça entre a província da Lunda Norte e a RDC, identificando "in situ", com o apoio de algumas autoridades tradicionais e militares e recorrendo ao GPS, 22 dos 32 marcos que delimitam a fronteira entre os dois países nessa região, que continua a ser uma linha imaginária.
No seu relatório, a equipa técnica constatou que a maioria dos marcos reclama uma reconstrução urgente, pois alguns encontram-se danificados por acção de elementos naturais ou por actos de vandalismo propositado, e que os marcos 3 e 4 nunca chegaram sequer a ser construídos.
A comissão bilateral também pôde verificar que a população angolana residente junto da fronteira utiliza serviços de saúde e de educação nos estabelecimentos escolares e sanitários da RDC, enquanto elementos da população congolesa praticam a agricultura, a caça e a pesca no interior de Angola, sendo essa a prova de que existe entre ambas uma relação de coexistência pacífica e de boa vizinhança.
Nas suas conclusões, o relatório da comissão recomendou que fossem reconstruídos os marcos deteriorados, melhoradas as vias de acesso e abertos oficialmente três mercados fronteiriços, nomeadamente em Itanda, Chissanda e Fortuna, com vista a facilitar as trocas comerciais entre os dois povos.
O Governo considera assim eivadas de má-fé e visando fins inconfessáveis as declarações de certos sectores civis e políticos na RDC que continuam a reivindicar como pertencente a esse país parte do território angolano e repudia vigorosamente as pretensões expansionistas que lhes são inerentes.

O executivo dispõe-se a resolver sempre por via pacífica quaisquer situações susceptíveis de as contrariar ou pôr em causa.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Foi em 29 de Abril

Falta de condições de trabalho dificulta desenvolvimento da dança em Angola
A carência de espaços adequados, incentivo financeiro e maior profissionalização dos dançarinos e coreógrafos angolanos têm constituído um dos principais entraves ao desenvolvimento deste género artístico no país, segundo o director do Ballet Nacional Kilandukilo, Maneco Vieira Dias.
O responsável realçou ainda que com mais incentivos e espaços de exibição, os grupos de dança em Angola, tanto na vertente tradicional quanto na moderna, teriam condições para melhorar a qualidade do produto apresentado ao público e disputar, simultaneamente, lugares de destaque na arena internacional. "Além da ausência dos incentivos e de espaços, há ainda a destacar a fraca formação académica, apesar de nos últimos anos o Ministério da Cultura ter apostado nesta vertente. Portanto, se aspiramos por qualidade temos de dar outro impulso a este género artístico para que haja mudança de rumo", realçou. Um dos aspectos levantados por Maneco Vieira Dias para que tal aconteça é a recuperação e reabertura urgente dos espaços, "que se encontram fechados ao público há muitos anos". Este acto permitiria, segundo este, os grupos terem condições propícias para exibirem e prepararem adequadamente os seus trabalhos coreográficos. No entanto, o responsável do Ballet Kilandukilo reconheceu existirem já algumas melhorias na qualidade e na representatividade de certos grupos nacionais. "Temos grupos de dança tradicional e de recreação com muita qualidade. Alguns deles têm até mesmo condições de representar o país em eventos internacionais", disse. Maneco Vieira Dias manifestou-se igualmente satisfeito com a criação do grupo de dança Rebita do Kilamba, que para ele vai permitir o resgate de uma modalidade em vias de desaparecimento no país. "A rebita faz parte do acervo histórico cultural do país, mas infelizmente, nos últimos anos, tem se assistido ao seu desaparecimento e espero que, com este grupo, se possa dar um outro impulso ao seu resgate e manutenção nas modalidades artístico-culturais angolanas", adiantou.
De acordo com Maneco Vieira Dias, a pesquisa, em termos de investigações no campo da tradição oral angolana, deve ser outra das apostas dos grupos de bailado tradicional, por serem uma expressão da cultura angolana e um veículo de salvaguarda da identidade nacional.
O Dia Internacional da Dança foi instituído em 1982, pela Unesco, com o objectivo de despertar o interesse público, bem como incentivar os governos a criarem políticas para o ensino de base e superior desta manifestação artística. Celebrada a 29 de Abril, a data marca as comemorações do nascimento do coreógrafo e reformador francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), criador do ballet moderno. Esta efeméride é igualmente usada como um marco para firmar posições claras sobre a dança, enquanto linguagem artística capaz de aproximar-se de outras expressões, como a música, o teatro, o circo, mas mantendo a sua identidade própria. O dia da Dança celebra essa autonomia.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

uma de vez enquando


Um professor de Matemática decidiu pregar uma partida aos seus alunos e disse-lhes:- Meninos, aqui vai um problema:
"Um avião saiu de Amesterdão a uma velocidade de 800 km/h, à pressão de 1.004,5 milibares; a humidade relativa era de 66% e a temperatura 20,4 graus C. A tripulação era composta por 5 pessoas, a capacidade era de 45 assentos para passageiros, o WC estava ocupado e havia 5 hospedeiras de bordo (mas uma estava de folga)."
- A pergunta é... Quantos anos tenho eu? Os alunos ficaram assombrados. O silêncio era total.Então o Joãozinho, lá no fundo da sala e sem levantar a mão, diz:- 44 anos, professor!O professor, muito surpreendido, olha para ele e diz: - Caramba, está certo. Eu tenho 44 anos. Mas como é que tu adivinhaste?
E o Joãozinho:- Bem, eu deduzi porque tenho um primo que é meio parvo, e ele tem 22 anos..."
Peço desde já desculpa pelo incómodo e também por qualquer coisinha (http://desculpeqqc.blogspot.com/)

terça-feira, 1 de maio de 2007

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Ruy de Nilo - "O rosto da chuva"

Reviver o passado que ainda marca a memória dos angolanos e realçar a angolanidade, enquanto factor de unidade e reconciliação, é o cerne do primeiro rebento literário de Ruy de Nilo, a ser apresentado na primeira quinzena do próximo mês.
Trata-se de um conto poético, onde o autor faz uma reflexão sobre algumas situações vividas pela sua geração e cuja base centra-se nas realidades vividas por si e em alguns extractos da transmissão oral, que mesclado à ficção e ao misticismo transformam "O rosto da Chuva" numa narrativa para várias idades.
Centrando-se neste ponto, o autor procurou retratar no livro as diferentes realidades vividas nas inúmeras etnias do país, nas zonas tribalizadas, nas múltiplas subculturas e línguas que nos identificam como povo, nos seus mais diversos níveis e civilizações tradicionais. "Este era um tema inevitável. Porque ser-me-ia difícil fugir a este tentáculo intrínseco da cultura angolana, em particular, e à tradição Bantu no geral", explica.
Embora reconheça que tenha sido influenciado por outras culturas, Ruy de Nilo afirmou ser importante não descurarmos nunca as nossas raízes e os seus valores culturais. Com base em tal, acrescenta, "O rosto da chuva" assume e preserva a expressão da angolanidade, ressaltada nas suas mais variadas vertentes.
Alguns dos principais momentos da guerra na qual esteve mergulhada o país durante anos e a harmonia que Angola ganhou com a paz, há já quatro anos, são também outros dos pontos ressaltados por Ruy de Nilo.
"Cada angolano tem o rosto da chuva e este tem um condão de lavar e limpar. Ou seja existe dentro dos angolanos agora um novo começo, feito na base do perdão e da limpeza das magoas. Embora, todas as cicatrizes fiquem na memória, o povo angolano já deu prova, ao longo da sua história, de saber esquecer. Todavia, tal não significa ignorar. E são essas histórias que pretendo consciencializar, recordando-nos o quanto nos custou o parto da paz", diz o autor.
Jurista de profissão, o escritor, de nome próprio Rui de Carvalho Simões, define-se como sendo um ser poético. Mas, apesar disto pretende colocar brevemente no mercado um romance, além de mais dois poemários quase terminados, e outro livro de contos, intitulado "Malamba", escrito com base no quotidiano.
Tendo já oportunidade de visitar algumas áreas pelo interior do país, a investigar os temas para os seus trabalhos literários, o escritor mostra-se satisfeito com a nova realidade do país, ao contrário das informações de uma imagem muito negativa passada a nível internacional.
Ruy de Nilo tem igualmente vários trabalhos publicados sobretudo no âmbito da pesquisa universitária. Publicou ainda as suas obras no jornal "Fazedores de letra ", da faculdade de letras da Universidade de Lisboa e consta também de uma ontologia de poesia portuguesa contemporânea, intitulada "Da Poesia III".
O livro "O rosto da chuva", que será apresentado na primeira quinzena de Maio em Angola, já foi lançado na feira do livro da Amadora em Lisboa, em Setembro do ano transacto pela Editora Publidisa. A obra está a ser vendida em Portugal, Espanha e também o será, posteriormente, no México.

sábado, 28 de abril de 2007

A paz foi ganha há cinco anos

Filomeno Manaças in Jornal de Angola

É no rescaldo de uma mão cheia de acontecimentos, que ditaram a agenda política doméstica da semana finda e que não podem aqui deixar de ser referenciados, que teve início ontem a campanha especial de mobilização e sensibilização de jovens para o registo eleitoral.
Dos acontecimentos a que aludimos, e por ordem cronológica, fácil é descortinar que, nas suas diferentes dimensões, cada um procurou conferir cunho particular ao quinto aniversário do fim da guerra em Angola. O seminário sobre a Agenda Nacional de Consenso, realizado nos dias 2 e 3 de Abril no Palácio dos Congressos, teve como preocupação central estabelecer os eixos em que deverá assentar o desenvolvimento do país. Ou seja, o mesmo é dizer que o objectivo foi o de - para lá das quezílias que pontilham a actividade e concorrência entre os partidos com vista a alcançar o poder- identificar uma pauta de assuntos essenciais ao progresso económico, social e mesmo político do país que todas as formações devem abraçar e primar pelo seu cumprimento a rigor. Trata-se de uma visão de futuro que não deve assustar, até porque se revisitarmos a história de países que conheceram longos períodos de guerra e hoje têm o estatuto de nações desenvolvidas, veremos que há questões às quais o Estado prestou particular atenção, não as deixando sob a responsabilidade única dos partidos políticos, como a saúde, a educação, o domínio das infra-estruturas sociais e sanitárias, a estabilidade e crescimento da economia, para só citar estes.
A Gala da Paz organizada em homenagem ao 4 de Abril, cerimónia a que assistiram o Presidente da R-pública e esposa, várias figuras públicas convidadas e particularmente representantes de partidos políticos, foi um momento sublime na celebração de mais um aniversário da coragem que levou angolanos a dizer "basta às armas!"
E foi no embalo destes acontecimentos que a Comissão Nacional Interministerial para a Desminagem e Assistência Humanitária entendeu por bem realizar uma gala em que foram eleitos os seus embaixadores da boa vontade contra as minas, que vão desenvolver uma série de actividades visando a reinserção social de cerca de 80 mil pessoas vítimas desses artefactos terrestres. Mais do que isso, a revelação de que até Outubro do ano passado foram limpas cerca de dois milhões, 821 mil e 667 metros quadrados de áreas minadas, 328 quilómetros de estradas, e que foram removidas um total de três mil e 267 minas, remete-nos para números que representam um grande esforço no sentido de tornar o país acessível, por um lado, e, por outro, um compromisso sério com a construção da paz.
Com efeito, a paz não é só o calar das armas. A paz é também um processo de construção lento e multidisciplinar, a começar pelo próprio homem, elemento central do projecto de uma nova nação, de um novo Estado em que Angola se pretende tornar. E nesse projecto é claro que a juventude é chamada a desempenhar papel de particular importância.
Por isso, depois do sucesso que foi a campanha especial do registo de mulheres em Março, que permitiu, nesse mês, o recenseamento de 80 mil senhoras, a Comissão Interministerial para o Processo Eleitoral decidiu - e bem - dedicar Abril à juventude. Vamos, pois, todos ao registo para consolidar a democracia e a paz em todo o país.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Obras do multi-uso do Lubango

Morais Canâmua no Lubango


Decorrem a bom ritmo as obras para edificação do pavilhão multi-uso com vista ao Afrobasket - 2007 que se realiza no país em Agosto próximo.

Nestes dias,a empresa chinesa que dirige os trabalhos tem se empenhado na efectivação das bases que servirão de alicerces para a referida infra-estrutura desportiva.

Os trabalhos desenrolam-se durante o dia e uma parte da noite devido ao encurtar dos dias, dado que as chuvas,nos últimos tempos, têm estado a provocar alguns transtornos.

Por aquilo que apuramos de algumas fontes ligadas à empreiteira da obra, alguns contentores de material afim começaram já a chegar ao Lubango vindos do Porto do Namibe que assegurou o descarregamento atempado.

Os cerca de 60 contentores contendo material de construção diverso,deverão estar na cidade do Lubango ainda durante esta semana.

Entretanto,o esforço na construção do pavilhão e no cumprimento dos prazos estabelecidos,para que a cidade do Lubango se apresente pronta para albergar uma das séries de disputa da competição,tem sido complementado com outras áreas de apoio.

Deste modo foi já criada a comissão provincial, liderada pelo governador Ramos da Cruz, e que terá como coordenador executivo o director provincial do Minjud.

Para além desses,outros nomes fazem parte da referida comissão,mas até agora a sua composição completa não foi tornada pública.

Quanto a outros aspectos complementares,a administração municipal do Lubango tem colaborado no ordenamento do trânsito e também com organismos de obras e infra-estruturas municipais para a criação de sinergias no cumprimento dos planos estabelecidos.

No que se refere a cadeia hoteleira,algumas unidades de referência têm caprichado na melhoria dos seus serviços e na criação das condições de comodidade aos visitantes.

O Hotel Lodge Palanca Negra, na comuna da Palanca,local apontado para o estágio da nossa selecção,tem em vista, nos próximos dias aumentar o número de camas.

Neste momento tem serviço para 25 e pretende duplicar esse número.

Outros serviços têm sido avaliados como os de telecomunicações e melhoria da própria imagem da cidade.

Virgílio Tyova,administrador municipal do Lubango disse há dias que todo o esforço tem sido concentrado na melhoria dos serviços que concorrem para melhorar a imagem da cidade do Lubango, tida em tempos como “Cidade Jardim de Angola”.

Para o administrador do Lubango, esta cidade irá cumprir com as suas obrigações, proporcionando aos visitantes muitos atractivos e uma comodidade fora do comum.

A Huíla albergará uma das séries de disputa do Afrobasket que inicia em Agosto próximo.O pavilhão multi-uso deverá ser entregue às autoridades desportivas do país, no dia 29 de Julho.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Grupos de bailados devem ter como base a pesquisa da tradição

Adriano de Melo in Jornal de Angola


A pesquisa, recolha, estudo, preservação, promoção e divulgação das danças africanas é, segundo o ministro da Cultura, Boaventura Cardoso, uma tarefa que os grupos de bailado nacionais devem assumir e desenvolver para poderem recriar e dar novo alento à este estilo artístico.
Boaventura Cardoso avançou ainda, ontem durante o acto de abertura do Workshop sobre a Dança, a necessidade de os grupos angolanos rebuscarem o uso das novas tecnologias de informação e comunicação para uma maior divulgação, a nível nacional e internacional, desta expressão, que ainda se encontra num estado crítico em termos de profissionalização.
Estes meios tecnológicos permitirão, de acordo com o ministro, os grupos terem uma verdadeira memória coreográfica, capaz de suprir a carência documental registada há 50 anos. "Hoje cremos já não fazer sentido afirmar-se que a dança é a única forma de arte sem memória permanente", justificou.
O facto de o nível de conhecimento da dança elevada a arte ser ainda tão frágil ou inexistente no seio de determinados grupos foi também, para Boaventura Cardoso, uma das razões que levaram o Ministério da Cultura (Mincult) a realizar este evento, que terá a duração de seis dias e levará também ao conhecimento dos 101 participantes a experiência de Moçambique.
"As acções formativas são necessárias para debelarmos as fragilidades que acusam os grupos e companhias de dança nas suas actuações, e esta acção permitirá ministrar-lhes algumas das noções básicas e fundamentais sobre este género artístico", aclarou.
Para Boaventura Cardoso, o estado crítico deste género artístico só começará a melhorar acentuadamente com a criação do Instituto Médio de Artes e do Instituto Superior de Artes, que permitirá capacitar adequadamente os profissionais de dança . "O início das obras do primeiro instituto, a partir deste ano, marcará, estamos certos, o limiar de uma nova etapa para as artes angolanas que muito bem merece", disse.
A dança como as demais expressões de arte precisam de espaço para se desenvolver, de acordo com o ministro, que acrescentou ser indispensável neste sentido constar nos programas de construção de novas infra-estruturas a criação de Casas de Cultura, de maneira a haver uma maior prática e usufruto dos valores culturais por parte da população.
"O Ministério da Cultura reconhece que os grupos de dança enfrentam inúmeras dificuldades, mas não obstante isso constatamos também um certo esforço e dinamismo no funcionamento e nas actividades de alguns grupos nas províncias", realçou.
O seminário, que será ministrado pela coreógrafa Ana Clara Guerra Marques e o director da Companhia de Canto e Dança de Moçambique, David Abílio Mondlane, até 29 deste mês, na Liga Nacional Africana, em Luanda, está aberto a todos os directores, encenadores e bailarinos de grupos de dança nacional, que através deste acto poderão obter maiores conhecimentos sobre este género.

terça-feira, 24 de abril de 2007

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Com a devida vénia

Português
Todos os anos, 23 de Abril é visto como uma data simbólica para a literatura, porque marca o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor
Com a celebração deste dia a Unesco procura promover a leitura, a publicação e os direitos de autor.
23 de Abril é uma data simbólica para a literatura mundia porque nesta data em 1616 morreram Cervantes, Shakeaspeare e Inca Garcilaso de la Vega. Também é a data do nascimento ou morte de outros proeminentes autores tais como Maurice Druon, Haldor Laxness, Nabukov, Josep Pla e Manuel Maria Vallejo.
Mas esta data tanmbém se assinala a morte do poeta português Alberto de Oliveira (1940) Ler aqui «Horas Mortas» de Alberto de Oliveira e o nascimento do poeta brasileiro Jorge Matheus de Lima (1893)
Veja (quase) tudo o que aconteceu Neste dia na História - 23 Abril
Tenha um bom dia e leia
Fernando